MEIO AMBIENTE
ÁGUA

Todos sabem que o nosso planeta é formado em sua maior parte de água. O que muitos ainda ignoram é que uma parte muito pequena, em torno de 3%, desta água é própria para o consumo humano.

 

Embora o Brasil seja um país privilegiado em disponibilidade de água, enfrenta desafios cotidianos cada vez maiores para obter suficiência e qualidade adequada capaz de atender as necessidades da população e processos produtivos, levando as pessoas do meio urbano e rural a uma mudança de hábitos com relação ao uso da água de forma sustentável.

 

São verdades que a ciência e a tecnologia têm avançada rumo a novos conhecimentos e descobertas extraordinárias. No entanto, ainda é desconhecida a forma de se fabricar água, fato que, sob este aspecto nos remete a uma condição primitiva de extrativismo. Não obstante, a condição quantitativa e qualitativa da água de um modo geral, nos confere um desafio de grande complexidade, quando observado os crescentes níveis de escassez registrados e as incidências de doenças e mortalidades relativas à veiculação hídrica.

 

O cenário dramático que assola o mundo, nos alerta quanto aos cuidados com relação a água dita potável que consumimos hoje. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, morrem, anualmente, em todo o mundo 2,2 milhões de pessoas de doenças diarréicas, incluindo a cólera, sendo que deste total 90% são crianças com idade inferior a cinco anos. O mesmo organismo estima que 88% dos casos de diarréia estão relacionados, de alguma forma, a fontes de abastecimento de água inseguras, precariedade das condições de saneamento e hábitos higiênicos inadequados.

 

Os números são alarmantes, principalmente, se for levar em consideração que casos como esses não se restringem apenas a países subdesenvolvidos da África, mas também podem estar acontecendo bem mais perto de nós do que imaginamos. De acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde, ocorreram no Brasil no período de 2004 a 2006, 7,8 milhões de casos de diarréias agudas, média de 2,6 milhões de caso/ano, que ainda não corresponde à realidade, pois o sistema de monitoramento implantado não contempla unidades de saúde em 15% dos municípios. As regiões Norte e Nordeste apresentam os piores indicadores de cobertura dos serviços de Saneamento Básico e respondem por 60% dos casos verificados no período.

 

Os registros dos órgãos de saúde dão conta da associação entre água de consumo humano e saúde, evidenciando que a implementação de serviços sanitários resulta em melhoria dos indicadores de saúde da população.


Dentre as principais formas de contaminação da água destacam-se: descarga de resíduos humanos e de animais; contaminação química devido ao aumento da fabricação de substâncias químicas; descarga de fertilizantes e agrotóxicos aplicados na agricultura; entre outros agentes poluidores que acabam transportando grande variedade de microrganismos patógenos, entre eles bactérias, vírus, protozoários ou organismos multicelulares, que podem causar doenças que atingem principalmente o trato gastrointestinal.

 

Infelizmente, a desinformação quanto a real situação qualitativa da água é ignorada, a ponto de ser comum entre a população, o engano de confundir água encanada com água potável. Neste cenário é apontado um infinito campo de atuação completamente desprovido de condições básicas de sanidade e de insuficientes iniciativas quanto ao enfrentamento para amenizar estes índices.

 

Água de qualidade segura para consumo humano somente é obtida por meio de tratamento, ou seja, através da desinfecção (cloração), de acordo com padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Na mesma portaria, 2914/2011, afirma ainda, que toda água fornecida coletivamente deve ser submetida a processo de desinfecção, concebido e operado de forma a garantir o atendimento ao padrão microbiológico desta norma.